segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ida ao Centro de Emprego

Hoje compareci a uma reunião no Centro de Emprego.

A funcionária foi muito simpática. Disse que a partir de agora as pessoas com mais de 45 anos iam ter a possibilidade de assistir a uma formação com a duração de cerca de 2 meses. As cadeiras seriam coisas fundamentais como marketing, organização empresarial, TIC, línguas e uma ou outra coisa mais específica, sendo que o nível de profundidade seria de acordo com as habilitações literárias de cada um. Curiosamente, a razão pela qual esta formação ia ser dada, segundo o afirmado, seria para que as pessoas desempregadas tivessem algo para fazer. Em vez de estar em casa a desesperar, desta forma poderiam passar o tempo. O que se pretendia era que as pessoas desempregadas tivessem actividade. Afirmou-se que era boa ideia participar em acções de voluntariado. A assistência portou-se à altura e agradeceu entusiasmada esta magnanimidade do Estado em ajudar-nos a estar entretidos. Sobre oportunidades de trabalho... nada. Afinal, interpreto eu, não compete ao Estado conseguir trabalho aos seus cidadãos. A função do Estado também não é a preparação de novas competências que facilitem a integração no mercado de trabalho. Para quê... como trabalho não há nem vai haver, o Estado deve preocupar-se antes em ter as pessoas entretidas. Pensando bem, se houvesse dinheiro mandavam-nos certamente ao Walt Disney Paris... como não há, temos que ter paciência e contentar-nos com umas formaçõezitas. Podemos estar descansados, que ninguém chumba. É garantido.

Enquanto esperava por um comprovativo da minha presença em tão estimulante evento, comentei com a funcionária que me parecia que o que se pretendia era que os desempregados não perdessem a cabeça, que não ficassem muito zangados. Afinal, um dos assistentes até se tinha levantado zangado e saído sem assistir ao espectáculo até ao fim. A funcionária, muito paciente, mostrou compreensão. Ela, ao ver a minha história laboral e académica, mostrou muito interesse por mim. Não resisti e comentei-lhe que mesmo que a minha média de entrada na universidade fosse superior a 18,5 não estava a concluir os meus estudos porque o dinheiro não esticava e em família tínhamos decidido que como o dinheiro só dava para um, seria a nossa filha a continuar a estudar. A funcionária mostrou compreensão e disse: "Pois, temos que fazer escolhas!", ela também tinha 3 filhas e não tinha podido dar tudo o que queria a todas... Eu desatei a rir. Disse que não era uma questão de escolhas... era uma questão de sacrifício e ver onde cortar teria menos impacto no futuro, que para uns era uma questão de escolhas porque estavam a decidir o que fazer com o que sobrava depois de se ter tudo o necessário enquanto para outros era uma questão de cortar em si mesmo (a conclusão dos estudos universitários num de dois cursos superiores enquanto se está em casa desempregado) para que os filhos tentassem seguir em frente. Também lhe perguntei  por que razão o Estado não entra em actividades produtivas de substituição de importações com o milhão e duzentos mil desempregados que existem neste país. Não soube responder. Em abono da verdade, até lembrou o abate de barcos de pesca que tinha assistido há uns anos.

O importante é que fiquei a saber que vou estar ocupado dois meses e que até me vão pagar o passe e o almoço. Que chatice...

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